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NAVEGUE PELA BIOMETRIA
UMA INTRODUÇÃO À BIOMETRIA E SUA HISTÓRIA GERAL
 
 


1. Introdução

A biometria é um grupo de tecnologias em segurança de alto nível. Este breve resumo tenta explorar a essência desses sistemas de segurança, explicando como eles operam e esclarecendo certos conceitos concebidos sobre a indústria biométrica. O elemento chave dessa excitante tecnologia é sua habilidade em estabelecer identidades e reforçar a segurança. Este é um ponto extremamente importante no nosso mundo atual. Aviões, bancos, presídios, redes de computadores, sistemas de pagamento e até mesmo o processo de votação são todos suscetíveis à brechas de segurança. A biometria é agora ativa nessas diversas áreas e está indo além dos mercados tradicionais de segurança e de forças policiais, nos quais a indústria primeiramente se fez conhecer.

As bases da biometria são sempre ofuscadas pelo excitante potencial das tecnologias núcleo. Porém, conhecer os princípios por detrás de todas as biometrias é essencial para qualquer parte interessada. Um usuário informado faz uma decisão correta, não sendo persuadido pela retórica, e tende a ser menos frustrado uma vez que a tecnologia tenha sido implementada. Inadvertidos são os usuários, integradores de sistemas e implementadores que delineiam o curso da indústria biométrica instalando tecnologias e direcionando as tendências. Os usuários não possuem obrigações para com a indústria. Existe sim uma responsabilidade dos indivíduos que devem utilizar a biometria escolhida. Este resumo distingue os usuários que implementam os sistemas biométricos e os usuários finais que interagem e utilizam fisicamente a tecnologia. São esses usuários finais dos sistemas biométricos que serão realmente beneficiados se as bases da biometria forem explicadas.

2. Definição

Antes de irmos além, é importante definirmos exatamente o que queremos dizer quando falamos de tecnologias biométricas. O termo abrangente “biometria”, per si, refere-se a uma ciência, envolvendo a análise estatística de características biológicas. Quando falamos sobre biometria, entretanto, estamos tratando de tecnologias que analisam as características humanas para fins de segurança. A ciência estatística da biometria continua como pano de fundo e deverá ser tratada separadamente. Para ajudar a fazer uma distinção, uma definição longa porém conclusiva da biometria como segurança tem sido divulgada há anos, e diz o seguinte:

A biometria é uma característica única mensurável ou um traço do ser humano que automaticamente reconhece ou verifica sua identidade.

Portanto, as tecnologias biometrias são concernentes às partes físicas do corpo e aos traços pessoais dos seres humanos. É importante notar o termo “automático” na definição acima. Isso significa principalmente que a tecnologia biométrica deve reconhecer ou verificar uma característica humana rápida e automaticamente, em tempo real. Uma explicação mais completa das variadas tecnologias biometrias é mostrada na Seção 3.

Resumindo, as biometrias físicas mais comuns são o olho (íris e retina), face, impressão digital, mão e voz; enquanto assinatura e ritmo datilográfico são biometrias comportamentais.

Os produtos biométricos sempre alcançam os mais altos níveis de segurança. Para ilustrar esse ponto, uma definição já muitas vezes citada é utilizada pela indústria biométrica. Aqui estão três passos de segurança biométrica:

O mais baixo nível de segurança é algo que você tem, assim como um cartão de identificação com uma foto;
O segundo nível de segurança é algo que você sabe, como uma senha para acessar um computador ou uma Número de Identificação Pessoal (PIN) para acessar fundos em um caixa eletrônico bancário;
O mais alto nível de segurança é uma tecnologia biométrica - algo que você faz e algo de seu próprio ser.

No desenvolvimento de sistemas de identificação biométricos, são necessárias características físicas e comportamentais para o reconhecimento, que são:

Tão únicas quanto possível, ou seja, um traço idêntico jamais aparecerá em duas pessoas: singularidade;
Existem em tantas pessoas quanto possível: universalidade;
Podem ser medidas com instrumentos técnicos simples: mensurabilidade;
São fáceis e confortáveis de serem medidas: uso amigável.

3. História

De um modo não-sofisticado, a biometria já existe há séculos. Partes de nossos corpos e aspectos de nosso comportamento têm sido usados no decorrer da História como um modo de identificação. O estudo das imagens digitais data da Antiguidade da China; nós sempre lembramos e identificamos uma pessoa pelo seu rosto ou pelo som de sua voz; e uma assinatura é o método estabelecido para autenticação em bancos, para contratos legais e em muitas outras ocasiões.

Um cientista chamado Francis Galton é considerado um dos fundadores do que chamamos hoje de Biometria: a aplicação de métodos estatísticos para fenômenos biológicos. Sua pesquisa em habilidades e disposições mentais, a qual incluía estudos de gêmeos idênticos, foi pioneira em demonstrar que vários traços são genéticos. A paixão de Galton pela medição permitiu que ele abrisse o Laboratório de Antropométrica na Exibição Internacional de Saúde em 1884, onde ele coletou estatísticas de milhares de pessoas. Em 1892, Galton inventou o primeiro sistema moderno de impressão digital. Adotado pelos departamentos de polícia em todo o mundo, a impressão digital era a forma mais confiável de identificação, até o advento da tecnologia do DNA no século XX.

Os avanços comerciais na área da biometria começaram na década de setenta. Durante este período, um sistema chamado Identimat foi instalado em um número de locais secretos para controle de acesso. Ele mensurava a forma da mão e olhava principalmente para o tamanho dos dedos. A produção do Identimat acabou na década de oitenta. Seu uso foi pioneiro na aplicação da geometria da mão e pavimentou o caminho para a tecnologia biométrica como um todo.

Paralelamente ao desenvolvimento da tecnologia de mão, a biometria digital estava progredindo nas décadas de sessenta e setenta. Durante este tempo, algumas companhias estavam envolvidas com identificação automática das imagens digitais para auxiliar às forças policiais. O processo manual de comparação de imagens digitais cm registros criminais era longo e necessitava de muito trabalho manual. No final dos anos sessenta o FBI começou a checar as imagens digitais automaticamente e na metade da década de setenta já havia instalado uma quantidade de sistemas de scanners digitais automáticos. Desde então, o papel da biometria nas forças policiais tem crescido rapidamente e os Automated Fingerprint Identification Systems (AFIS) são utilizados por um número significante de forças policiais em todo o mundo. Com base nesse sucesso, a biometria por scanner de digitais está agora explorando o campo dos mercados civis.

Outras técnicas têm evoluído ao lado das biometrias pioneiras dos anos sessenta e setenta. O primeiro sistema a analisar o padrão único da retina foi introduzido na metade dos anos oitenta. Enquanto isso, o trabalho do Dr. John Daughman da Universidade de Cambridge pavimentou o caminho para a tecnologia de íris. A atual verificação de voz possui raízes assentadas nos empreendimentos tecnológicos dos anos setenta; enquanto biometrias como a verificação de assinaturas e o reconhecimento facial eram relativamente novatas na indústria. A migração de pesquisa e desenvolvimento rumo à comercialização continua até hoje. Pesquisas nas universidades e por fornecedores biométricos em todo o mundo são essenciais para redefinirmos o desempenho das biometrias existentes, enquanto desenvolvem-se novas e mais variadas técnicas. A parte mais difícil é levar um produto ao mercado e provar seu desempenho operacional. Leva tempo para que um sistema torne-se completamente utilizável. Entretanto, tais sistemas estão em funcionamento, submetendo-se a mais variada gama de aplicações.


 
 
     
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